A hérnia abdominal é caracterizada por um abaulamento de algum órgão localizado no abdômen para fora do corpo. Geralmente, a pessoa não apresenta nenhum sintoma, mas, quando o orifício da passagem dos órgãos fica mais estreito, acontece a chamada hérnia encarcerada ou estrangulada, que pode apresentar sinais como:

  • Dor;
  • Inchaço ou caroço na região da barriga, principalmente acima ou dentro do umbigo e na virilha;
  • Vermelhidão no local;
  • Náuseas e vômitos, especialmente quando há torção dos órgãos herniados.

Esta condição tem grande potencial para se tornar grave, e deve ser tratada com cirurgia o mais rápido possível — pois há risco de a circulação de sangue para os órgãos ser interrompida, gerando inflamação, perfuração, infecção e morte das células (necrose).

Cirurgia de hérnia abdominal 

O único tratamento eficiente para a hérnia abdominal é a cirurgia, porém, quando a hérnia é pequena, ou no caso de hérnia umbilical (que ocorre em bebês), ela pode regredir sozinha. 

A cirurgia é realizada em centro cirúrgico, com anestesia local ou raquidiana, e pode ser feita com a abertura do abdômen (cirurgia convencional), por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, em um procedimento que dura cerca de uma hora. 

O objetivo do procedimento é empurrar os órgãos para dentro do abdômen. Em seguida, a incisão é fechada com sutura. Quando os músculos da barriga estão muito enfraquecidos, pode ser necessária a colocação de uma tela para reforçar a proteção e reduzir as chances de formação de uma nova hérnia.

Riscos de recidiva da hérnia abdominal

O uso das telas é uma das principais medidas para evitar os casos de recidiva, mas, independentemente da técnica de cirurgia e do material utilizado durante a cirurgia, existe o risco do retorno da hérnia abdominal. A recidiva é mais frequente quando a cirurgia é realizada pela técnica convencional, ou seja: aberta. 

Isso ocorre porque, nela, é utilizado o próprio tecido rompido para fazer uma religação, que nada mais é que uma costura entre as partes separadas. Mas como esse tecido já está desgastado e frágil, a tendência é que ele não consiga manter a segurança dos pontos. Porém, quanto menor for a hérnia, menor o risco de recidiva.

Existem alguns fatores de risco que podem contribuir para o retorno da hérnia abdominal. São eles:

  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Infecção pós-operatória;
  • Falta de nutrientes suficientes no organismo;
  • Prática de atividades físicas intensas;
  • Cirurgias realizadas em regiões contaminadas (apendicite supurada);
  • Pegar peso acima de dez quilos nos primeiros dias após a cirurgia.  

Existe ainda a possibilidade de uma hérnia recidivada surgir a partir do orifício mínimo realizado pela laparoscopia, que não foi devidamente cicatrizado.

Com o uso da tela cirúrgica, utilizada para fortalecer a parede abdominal no local da hérnia abdominal, o risco de retorno é reduzido significativamente, assim como a dor pós-operatória.

A recuperação muitas vezes demora mais do que o paciente espera. Até mesmo as cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia, requerem um repouso mínimo de quinze dias para atividades com excesso de carga, para que não ocorram fadigas desnecessárias e dores.

 

Não é possível saber se a hérnia abdominal pode voltar ou em quanto tempo isso pode ocorrer. Porém, é importante seguir as recomendações de repouso do seu médico de forma adequada. Isso contribui para uma cicatrização eficaz e diminui o risco de recidiva.